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Governo de Goiás intensifica ações de prevenção diante da alta probabilidade de El Niño até 2027

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Governo de Goiás intensifica ações de prevenção diante da alta probabilidade de El Niño até 2027

O El Niño é um fenômeno natural que, apesar de se originar a milhares de quilômetros de distância, provoca alterações significativas no clima de Goiás. O gerente do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo), André Amorim, explica que o aquecimento das águas do Pacífico provoca mudanças nas correntes de vento, afetando as condições climáticas no Brasil. Enquanto o Sul do país recebe chuvas volumosas, as regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste enfrentam escassez hídrica.


Pesquisadores do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) indicam que os modelos climáticos internacionais apontam para um El Niño forte ou muito forte no biênio 2026/2027. A temporada 2023/2024, sob efeito do mesmo fenômeno, resultou na maior seca dos últimos 70 anos no Brasil, com 4.748 municípios enfrentando algum grau de estiagem, sendo 1.349 em condições severas ou extremas. O Cemaden alerta para a possibilidade de ondas de calor ainda mais intensas, que aumentam o risco de incêndios e prejudicam a saúde da população, inclusive nas regiões Sudeste e Nordeste.


Em resposta, o governo federal antecipou seu planejamento para 2026, com o Ibama contando com um efetivo recorde de 4.410 brigadistas, incluindo profissionais do próprio instituto e do ICMBio, sendo mais da metade indígenas. A estrutura operacional também inclui cerca de 400 veículos especializados e 18 aeronaves. O órgão planeja realizar queima prescrita em 200 mil hectares de áreas públicas e já emitiu alertas para propriedades em zonas de alto risco, notificando 547 fazendas no Pantanal. O presidente interino do Ibama, Jair Schmitt, afirmou que o planejamento foi totalmente influenciado pela previsão do El Niño.


Em Goiás, a Operação Cerrado Vivo, a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros atuam em conjunto para minimizar os efeitos do fenômeno, com as secretarias estaduais desenvolvendo atividades específicas em suas áreas de atuação.


O gerente do Cimehgo destaca que a eficácia das ações públicas é prejudicada pela falta de consciência de parte da população. Ele cita um caso recente em Goiânia, onde uma pessoa ateou fogo em uma área com mato seco próximo ao Shopping Passeio das Águas, causando poluição atmosférica e agravando o risco de incêndios. Com a vegetação ressecada pela estiagem, atitudes como essa favorecem a propagação descontrolada do fogo.


Com a expectativa de um El Niño de intensidade moderada a forte, Goiás deve enfrentar condições semelhantes às de 2023/2024, quando a temperatura da superfície do Pacífico ficou 2 graus acima da média e a capital registrou sucessivas ondas de calor com máximas de 34 a 35 graus em outubro, mês que normalmente apresenta clima mais ameno. A irregularidade das chuvas prolongou o desconforto térmico e prejudicou o planejamento agrícola, causando perdas e necessidade de replantio.


Embora o El Niño seja um fenômeno natural, as mudanças climáticas tendem a intensificar seus extremos. André Amorim observa uma aceleração na frequência e intensidade desses eventos, o que aumenta a vulnerabilidade do Centro-Oeste brasileiro. O Cimehgo orienta a população a adotar medidas práticas de preparação e a acompanhar os boletins diários. Para amenizar o calor, recomenda o uso de climatizadores ou ar-condicionado, considerando que a tarifa de energia deve atingir a faixa vermelha.




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