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Ministério do Trabalho resgata 55 trabalhadores em condições análogas à escravidão em Cezarina, Goiás

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Ministério do Trabalho resgata 55 trabalhadores em condições análogas à escravidão em Cezarina, Goiás

A ação ocorreu nos dias 23 e 24 de julho no município de Cezarina, onde trabalhadores foram atraídos com a promessa de ganhos mensais entre R$ 6 mil e R$ 10 mil. Inicialmente, cerca de 150 pessoas foram aliciadas, mas dois terços deixaram o local ao perceberem que a realidade era diferente do prometido.


Os trabalhadores que permaneceram relataram que ficaram quase um mês sem atividade e que, quando o trabalho começou, era realizado de forma intermitente. O empregador alegou dificuldades logísticas com o maquinário, o que teria causado a paralisação das atividades. Durante os períodos sem trabalho, os funcionários afirmaram que receberiam apenas o salário mínimo, pagamento que nem sempre era efetuado. Além disso, os salários, que deveriam ser pagos quinzenalmente, estavam atrasados.


A equipe de fiscalização identificou diversas irregularidades nas condições de trabalho e alojamento. Os trabalhadores ficavam hospedados na zona urbana e eram levados diariamente para as fazendas onde a colheita era realizada. Entre os problemas relatados estavam a ausência de água potável nas frentes de trabalho, falta de equipamentos de proteção individual (EPIs) e condições precárias de higiene. Eles precisavam se alimentar no chão e fazer necessidades fisiológicas no mato ou em sacolas, inclusive as mulheres.


Auditores fiscais informaram que já haviam realizado uma primeira inspeção em junho, quando os trabalhadores ainda aguardavam o início das atividades, que nunca se concretizavam Após notificação, parte dos contratos foi formalizada, mas as irregularidades persistiram, o que levou ao retorno da fiscalização e ao resgate dos trabalhadores.


Após a operação, os trabalhadores foram encaminhados para Goiânia e seguiram viagem para suas cidades de origem. Muitos não tinham recursos para retornar e não receberam apoio do empregador. Os resgatados terão direito ao Seguro-Desemprego do Trabalhador Resgatado, com seis parcelas de R$ 1.621.


Ao final do processo, o empregador poderá ser incluído na chamada "lista suja" do trabalho escravo, cadastro que reúne empregadores flagrados explorando mão de obra em condições ilegais.




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