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Brasil registra aumento no acesso a medicamentos de prevenção ao HIV, mas financiamento global preocupa

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Brasil registra aumento no acesso a medicamentos de prevenção ao HIV, mas financiamento global preocupa

O Brasil registrou um aumento de 41% no número de pessoas que utilizaram medicamentos de prevenção ao HIV pelo menos uma vez no último ano. Esse avanço ocorre em meio a um cenário internacional preocupante, marcado pela redução do financiamento global, queda nos serviços comunitários e cortes nas ações de prevenção, que podem provocar um ressurgimento da epidemia de AIDS.


O relatório especial "Unidas e Unidos para acabar com a AIDS", divulgado durante a 26ª Conferência Internacional de AIDS, realizada no Rio de Janeiro entre 27 e 31 de julho, destaca que cerca de 22% das 41 milhões de pessoas vivendo com HIV no mundo não estavam em tratamento em 2025. Entre as crianças, quase metade das que vivem com o vírus não teve acesso à terapia antirretroviral.


O documento ressalta que o fim da AIDS como ameaça à saúde pública até 2030 ainda é possível, desde que haja investimentos contínuos, ampliação do acesso aos medicamentos e redução das desigualdades. Sete países conseguiram reduzir em quase 80% as novas infecções desde 2010, enquanto 11 países alcançaram as metas de tratamento 95-95-95, que estabelecem que 95% das pessoas vivendo com HIV conheçam seu diagnóstico, 95% estejam em tratamento e 95% dos tratados tenham carga viral indetectável.


O mundo se aproxima de uma nova geração de medicamentos preventivos contra o HIV, com tecnologias que oferecem proteção semelhante à de uma vacina. Entre os avanços está o lenacapavir, um medicamento injetável que pode ser aplicado a cada seis meses. Também estão em desenvolvimento opções de aplicação mensal e comprimidos preventivos com intervalos maiores. O Brasil participou dos ensaios clínicos do lenacapavir, mas ainda não recebeu licença voluntária da fabricante Gilead para permitir preços mais acessíveis ou a produção de versões genéricas, avaliando a possibilidade de licenciamento compulsório para ampliar o acesso.


A iniciativa internacional liderada pela UNITAID, pelo Fundo Global de Combate à AIDS, Tuberculose e Malária e outros parceiros pretende implementar o lenacapavir para alcançar 3 milhões de pessoas até 2028. No entanto, esse número representa apenas uma pequena parcela da necessidade global, estimada em 20 milhões de pessoas que precisam de prevenção baseada em antirretrovirais para reduzir significativamente as novas infecções.


O relatório também destaca a queda histórica no financiamento internacional para o combate ao HIV. A Assistência Oficial ao Desenvolvimento (ODA) caiu 23% em 2025, afetando principalmente programas de saúde global. O financiamento específico para HIV reduziu US$ 1,5 bilhão, passando de US$ 8,8 bilhões em 2024 para US$ 7,3 bilhões em 2025, o menor nível em quase duas décadas. Na África Subsaariana, 80% dos recursos para prevenção do HIV vinham de financiamento internacional.


Organizações comunitárias receberam até 25% da assistência internacional para HIV em 2024 e desempenharam papel fundamental no atendimento a populações vulneráveis. Pesquisas indicam que essas organizações alcançaram, em alguns países, 22% das pessoas vivendo com HIV e até 60% das populações marginalizadas, oferecendo serviços essenciais de prevenção e tratamento. Sem novos investimentos, há risco de colapso dos serviços comunitários, com reduções expressivas em 47 países em 2026, como 50% nos serviços de apoio à prevenção baseada em medicamentos, 85% nos serviços para homens gays e outros homens que fazem sexo com homens, 82% para profissionais do sexo e 72% para sobreviventes de violência baseada em gênero. Em alguns países, o financiamento para preservativos caiu mais de 90%.


O relatório também alerta para retrocessos nas políticas de direitos humanos, fundamentais para o controle da epidemia. Pela primeira vez desde o início do monitoramento, houve aumento na criminalização de populações vulneráveis ao HIV. Em 2026, 168 países criminalizavam o trabalho sexual, 152 criminalizavam a posse de pequenas quantidades de drogas, 66 criminalizavam relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo e 14 países adotavam outras formas de criminalização relacionadas ao HIV.




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