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Morre João Carlos Gomes, líder dos pescadores atingidos pelo desastre da barragem de Fundão no ES

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Morre João Carlos Gomes, líder dos pescadores atingidos pelo desastre da barragem de Fundão no ES

João Carlos Gomes, conhecido como Lambisgoia, estava à frente do Sindicato dos Pescadores e Marisqueiros do Espírito Santo (Sindpesmes) há cerca de dez anos. Ele se destacou como uma das principais lideranças na defesa dos pescadores, marisqueiras e ribeirinhos impactados pelo desastre ambiental causado pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em 2015.


A última participação pública de Lambisgoia ocorreu em 18 de junho, na Assembleia Legislativa do Espírito Santo, durante reunião da Comissão Interestadual Parlamentar de Estudos para o Desenvolvimento Sustentável da Bacia do Rio Doce. Na ocasião, ele integrou uma diligência conjunta entre parlamentares capixabas e mineiros para cobrar maior transparência na repactuação do acordo de reparação dos danos causados pelo desastre.


A deputada Janete de Sá lamentou a morte do dirigente e ressaltou que, mesmo com problemas de saúde, ele continuou atuando em defesa da categoria. Ela destacou que Lambisgoia dedicou seus últimos dias à luta pela saúde dos pescadores e ribeirinhos, enfatizando que o debate não se trata apenas de recursos financeiros, mas de vidas humanas.


O rompimento da barragem de Fundão lançou cerca de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos na Bacia do Rio Doce, afetando centenas de quilômetros até o litoral capixaba. Dez anos após a tragédia, as comunidades ainda enfrentam dificuldades para serem reconhecidas como atingidas, acessar indenizações e obter acompanhamento médico especializado.


Durante a reunião da comissão, o deputado mineiro Leleco Pimentel afirmou que os pescadores permanecem excluídos do processo de reparação, impedidos de pescar para venda ou consumo próprio, e sem o suporte adequado. Também foram discutidos os recursos de R$ 101,6 milhões destinados ao Programa Especial de Saúde do Rio Doce, que serão aplicados em 11 municípios capixabas atingidos pelo desastre.


Lambisgoia ressaltou que a principal preocupação das comunidades sempre foi o acompanhamento médico, não a indenização financeira. Ele criticou a falta de mecanismos para monitorar a saúde dos pescadores e a interdição de parte das áreas de pesca. A deputada Janete de Sá reforçou a necessidade de exames epidemiológicos específicos para esses trabalhadores, que vivem da pesca e consomem o pescado diariamente.




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