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Roubo de cargas no Rio de Janeiro cresce 32,5% e preocupa setor de transporte

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Roubo de cargas no Rio de Janeiro cresce 32,5% e preocupa setor de transporte

Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) indicam 779 ocorrências de roubo de cargas no estado entre janeiro e maio de 2025, representando um aumento de 32,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse crescimento está relacionado à atuação de facções criminosas, especialmente o Terceiro Comando Puro (TCP), que intensificou o roubo de cargas para financiar suas atividades.


O cruzamento dos dados do ISP com o Mapa Histórico dos Grupos Armados revela maior concentração de roubos em delegacias que atendem bairros sob influência do TCP, como a Maré, o Complexo de Israel e a Pedreira, todos na Zona Norte.


O conjunto de 16 favelas da Zona Norte está localizado entre a Baía de Guanabara, a Avenida Brasil, a Linha Vermelha e a Linha Amarela, corredores estratégicos para o transporte de mercadorias. Em 10 de junho, as polícias Civil e Militar realizaram uma operação na Maré contra o TCP. Em 2024, a polícia instalou blocos de concreto em ruas da Maré para dificultar a circulação de veículos de grande porte, medida que gerou protestos de moradores e representantes comunitários.


A Polícia Civil do Rio mantém ativa a Operação Torniquete, focada no combate a roubos e receptação de cargas e veículos. No período, cargas e veículos recuperados somam R$ 56 milhões. A corporação utiliza dados do ISP para orientar suas ações, permitindo operações técnicas, eficientes e alinhadas à dinâmica criminal do estado.


O roubo de cargas impacta diretamente o custo das operações de transporte. Há quase uma década, transportadores cobram taxa extra para atuar no Rio de Janeiro devido ao risco elevado, que encarece seguros, fretes e serviços. O presidente da NTC e Logística, Eduardo Rebuzzi, afirma que o Rio ainda é considerado uma praça de alto risco.


Empresas que oferecem tecnologia contra roubo de cargas destacam que o domínio territorial das facções dificulta a recuperação das mercadorias. Luiz Henrique Nascimento, sócio da T4S, relata que, durante os anos em que teve uma transportadora, o Rio sempre foi o maior desafio, pois as comunidades funcionam como zonas de segurança para criminosos, impedindo a ação policial para recuperar cargas.


Antonio Vitaliano, da Confederação Nacional de Transportadores Autônomos e presidente da Federação dos Caminhoneiros Autônomos do Rio, avalia que a taxa adicional cobrada ao setor também carrega preconceito contra o estado, sendo uma forma de barganha para aumentar a lucratividade.




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