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Antes que o Rio troque sua memória por policarbonato

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Antes que o Rio troque sua memória por policarbonato

Ela revela, em poucas linhas, uma espécie de colapso silencioso da relação entre a cidade e seus próprios monumentos. O problema, portanto, já não está apenas na sujeira, na má conservação ou na ausência de zeladoria.


Não há política de preservação que sobreviva se a depredação for tratada como paisagem urbana inevitável. A cada placa arrancada, a cada busto mutilado, a cada gradil furtado, a cada vidraça quebrada e a cada fachada pichada, o Rio perde um pouco mais de sua capacidade de narrar a si mesmo.


Mas seria insuficiente reduzir o problema ao gesto isolado do vândalo, como se a destruição do patrimônio nascesse apenas da incivilidade individual.


Mas quando a exceção se converte em método, a cidade começa a admitir a própria derrota.




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