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El Niño de 2026: o país não pode enfrentar uma seca histórica de olhos vendados

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El Niño de 2026: o país não pode enfrentar uma seca histórica de olhos vendados

Os principais centros climáticos do mundo, do norte-americano NOAA à Organização Meteorológica Mundial, convergiram para o mesmo prognóstico: o El Niño deve se instalar no Há indicações de que possamos enfrentar um evento de intensidade excepcional - um Super El Niño, categoria registrada pouquíssimas vezes em um século e meio de observações.


No Brasil, o El Niño tende a aprofundar a estiagem no Norte, no Nordeste e em parte do Centro-Oeste e do Sudeste, ao mesmo tempo em que sobrecarrega o Sul com chuvas excessivas. É a combinação mais cruel possível para um país de dimensões continentais: seca onde já falta água e enchente onde ela sobra.


E, como sempre, o peso maior recai sobre quem tem menos meios de se proteger - comunidades periféricas, ribeirinhas, indígenas e a agricultura familiar. Energia, água e comida: três frentes, um mesmo risco O primeiro impacto é energético.


A matriz elétrica brasileira ainda depende fortemente das hidrelétricas, e a redução das chuvas sobre as principais bacias afluentes pressiona diretamente o nível dos reservatórios. Quando os reservatórios baixam, o sistema recorre às térmicas - mais caras e mais poluentes —, e o custo dessa decisão chega à conta de luz de toda a população, na forma de bandeiras tarifárias.




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