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Acervo de pioneiro do cinema baiano corre risco de desaparecer

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Acervo de pioneiro do cinema baiano corre risco de desaparecer

Escrevo este ensaio para registrar que esse texto atende a um pedido pessoal do meu confrade da Academia de Letras e Artes de Salvador (Alas) e meu amigo, Oscar Santana, que aos seus 92 anos, gozando de saúde física e mental invejáveis, preocupado com a preservação de seu imenso acervo filmográfico, e de equipamentos de filmagens e afins, procurou-me através de nosso confrade da Alas, Dr. Rozendo Ferreira Neto, para encontrar uma solução institucional ou particular para abrigar e preservar seu imenso acervo, de uma valor histórico-cultural incalculável para a história do cinema na Bahia e o Brasil.


Há figuras na história da cultura que operam como arquitetos silenciosos. Não aparecem como protagonistas dos grandes manifestos, não ocupam o centro das narrativas consagradas, mas sustentam técnica, estética e materialmente a possibilidade de uma produção existir.


O baiano Oscar Santana é uma dessas figuras raras, cuja trajetória revela o subsolo da história do cinema no Brasil. A Iglu Filmes viabilizou títulos fundamentais do chamado Ciclo Baiano de Cinema, entre eles Redenção, A Grande Feira, Tocaia no Asfalto e o emblemático Barravento, de Glauber Rocha.


É comum que a historiografia privilegie o impacto autoral de Glauber, e com justiça. Mas é igualmente necessário reconhecer que Barravento só pôde existir porque encontrou uma infraestrutura recém‑erguida, um grupo de profissionais em formação e uma produtora que, apesar da escassez, oferecia condições mínimas para filmar.




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