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O Rio das irmandades: um mundo de procissões, patrimônio e poder

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O Rio das irmandades: um mundo de procissões, patrimônio e poder

Antes dos automóveis, dos arranha-céus, dos bondes elétricos e até mesmo da Avenida Central, existiu um Rio de Janeiro em que a religião ocupava as ruas com uma intensidade difícil de imaginar nos dias atuais. Das igrejas saíam imagens centenárias, estandartes bordados em ouro, cruzes processionais, lanternas e tochas.


Funcionários públicos, militares, homens livres, escravizados, libertos, ricos e pobres misturavam-se em procissões que percorriam o coração da cidade. Era um Rio profundamente católico, mas também profundamente comunitário.


Muito além da dimensão espiritual, elas funcionavam como algumas das instituições mais influentes da cidade. Construíam igrejas, administravam patrimônios, financiavam obras, organizavam festas, cuidavam de seus membros e mantinham uma complexa rede de solidariedade que ajudava a sustentar a vida urbana do Rio de Janeiro.


Hoje, quando alguém entra na Igreja da Candelária, visita a Igreja do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos, passa diante da Igreja da Lapa dos Mercadores ou contempla tantos outros templos históricos espalhados pelo Centro, dificilmente imagina a impressionante força que essas associações donas destes templos possuíam. O historiador Anderson José Machado de Oliveira lembra que elas desempenhavam funções religiosas, assistenciais e até administrativas que muitas vezes supriam ausências do próprio Estado.




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