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Acidentes com motociclistas representam 70% dos atendimentos de trânsito no Rio

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Acidentes com motociclistas representam 70% dos atendimentos de trânsito no Rio

Entre janeiro e abril de 2026, mais de 16 mil atendimentos relacionados a acidentes de trânsito foram registrados na rede municipal do Rio, com motociclistas envolvidos em cerca de 70% dos casos.


Diante desse cenário, a Câmara Municipal do Rio aprovou em primeira discussão um projeto de lei que prevê a divulgação periódica desses indicadores, ampliando a transparência dos dados e oferecendo subsídios para a formulação de políticas públicas voltadas à redução dos acidentes.


O presidente da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego no Rio de Janeiro (ABRAMET-RJ), Dr. Egas Caparelli-Dáquer, destaca que a expansão do serviço superou a capacidade do poder público de adaptar a infraestrutura e os mecanismos de controle. Ele ressalta que a motocicleta é um veículo naturalmente mais vulnerável, com menor estabilidade e ocupantes mais expostos, o que aumenta o risco em colisões.


Caparelli-Dáquer afirma que a chegada dos aplicativos acelerou um processo de crescimento da frota de motos, que já vinha ocorrendo, e que o poder público não tem conseguido acompanhar essa evolução. O aumento dos acidentes já impacta hospitais e bancos de sangue, refletindo-se na necessidade de transfusões, filas para cirurgias ortopédicas e serviços de emergência.


O médico alerta que o problema vai além do número de mortes, pois as sequelas permanentes causam impactos econômicos e sociais significativos, especialmente quando resultam em incapacidades que exigem cuidados permanentes. Ele também destaca que a causa dos acidentes não se resume à imprudência dos motociclistas, mas envolve fatores como baixa qualidade da malha viária, sinalização deficiente, projetos urbanos inadequados, deficiência na formação dos condutores e uma cultura de insegurança entre todos os usuários das vias.


Caparelli-Dáquer recomenda que, sempre que possível, as pessoas evitem utilizar motocicletas como meio de transporte devido à menor estabilidade e à ausência de estrutura de proteção. Ele alerta que passageiros muitas vezes desconhecem que seu comportamento pode comprometer a estabilidade da moto, especialmente sob efeito de álcool ou medicamentos, e chama atenção para os riscos do compartilhamento de capacetes, que não eliminam completamente a transmissão de parasitas e doenças.


Para reduzir os índices de acidentes, o presidente da ABRAMET-RJ defende o fortalecimento da fiscalização, investimentos na melhoria das vias e o aperfeiçoamento da formação dos condutores, além da realização de campanhas educativas mais eficazes que promovam a conscientização sobre as consequências dos comportamentos perigosos no trânsito.




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