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Produtores de soja se preparam para impactos do El Niño na safra e nos custos

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Produtores de soja se preparam para impactos do El Niño na safra e nos custos

O avanço das projeções para um El Niño de forte intensidade tem gerado preocupação entre os produtores de soja. A expectativa é de menor produção e despesas maiores, o que reduz a margem de lucro dos agricultores.


Os impactos do fenômeno climático não serão uniformes em todo o Brasil. Em regiões com excesso de chuvas, o plantio pode atrasar pela dificuldade de entrada das máquinas, além de aumentar o risco de perdas nas lavouras, doenças e pragas. Em outras áreas, temperaturas elevadas, estiagens e chuvas irregulares podem comprometer o desenvolvimento das plantas, exigir irrigação e afetar toda a estratégia produtiva.


Além da queda na produtividade, os custos operacionais tendem a subir. Dependendo da intensidade das chuvas, pode ser necessário replantar áreas ou reaplicar defensivos agrícolas. Também aumentam os gastos com sementes, combustível, secagem, armazenagem, transporte e mão de obra. A pressão inflacionária pode manter ou elevar as taxas de juros, encarecendo os financiamentos e o crédito para o produtor.


Uma eventual quebra na produção pode valorizar a soja devido à redução da oferta, mas o preço interno depende também da demanda da China, da produção dos Estados Unidos e da Argentina, além do comportamento do câmbio. Nem sempre a alta do preço compensa as perdas causadas pelo clima, pois é preciso avaliar se a valorização da saca cobre a redução da produção e o aumento dos custos.


Como a soja integra a cadeia produtiva de carnes, leite, ovos e diversos alimentos, o aumento dos custos pode pressionar a inflação dos alimentos. O encarecimento da soja eleva o custo de produção das proteínas animais, afetando principalmente as famílias de menor renda, que destinam maior parte do orçamento à alimentação.


Para reduzir os riscos, os produtores devem evitar decisões baseadas em informações alarmistas e buscar orientação em instituições técnicas e fontes confiáveis, considerando que cada região reage de forma diferente ao fenômeno. Entre as estratégias recomendadas estão a contratação de seguro rural, vendas futuras cautelosas, manutenção de reservas financeiras para emergências, planejamento na contratação de crédito, investimentos em tecnologia, monitoramento climático, armazenagem e diversificação das atividades agrícolas quando possível.




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