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Publicidade excessiva das apostas digitais preocupa defensores públicos

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Publicidade excessiva das apostas digitais preocupa defensores públicos

A intensa publicidade das plataformas digitais de apostas esportivas e jogos de azar online tem gerado preocupação entre defensores públicos que atendem casos de superendividamento e problemas de saúde mental na população de baixa renda. O tema foi discutido em reunião conjunta no Senado, evidenciando os impactos sociais e econômicos dessas atividades.


A defensora pública Luciana Peles da Cunha destacou que os anúncios das apostas estão presentes em todos os meios, como televisão, campos de futebol, placas publicitárias e celulares, sem qualquer preocupação com o público exposto. Ela ressaltou que a publicidade tenta convencer as pessoas de que o jogo é uma oportunidade de renda extra, ignorando o fato de que a maior parte dos jogadores perde dinheiro.


Luciana enfatizou que as apostas são apresentadas como entretenimento inofensivo, mas alertou que a banca sempre vence, caracterizando o jogo como uma atividade de azar. Ela defende que a publicidade dessas plataformas digitais sofra as mesmas restrições da propaganda do cigarro, proibida no Brasil desde 2000. O defensor público Marcelo Dayrell Vivas concorda com a necessidade de restrições e alerta para o aumento da demanda por atendimento na saúde mental.


Marcelo Dayrell explicou que o Estado ainda não está preparado para lidar com os efeitos das apostas desde sua legalização em 2018, destacando a necessidade de grupos especializados nos Centros de Atendimento Psicossocial e horários específicos nas Unidades Básicas de Saúde para tratar jogadores compulsivos. Ele também ressaltou a importância de uma rede de saúde que ofereça continuidade ao tratamento de pessoas que tentaram suicídio por causa do vício e do endividamento.


A economista Ione Amorim observou que o hábito de apostar está profundamente enraizado nas famílias brasileiras, dificultando o combate aos impactos negativos na saúde financeira e psicológica. Ela espera que, em caso de adoção de medidas restritivas, consumidores e sociedade civil sejam incluídos no debate. Estima-se que o gasto mensal dos brasileiros com apostas digitais ultrapasse R$ 30 bilhões, contribuindo para a inadimplência severa de cerca de 270 mil famílias e prejuízos de R$ 143 bilhões ao comércio varejista.


O debate sobre a regulação das apostas digitais segue em andamento para proteger a saúde financeira e mental da população vulnerável.




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