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Brasil no centro de audiências públicas dos EUA sobre comércio

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Brasil no centro de audiências públicas dos EUA sobre comércio

O Brasil é foco de duas audiências públicas promovidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos para investigar supostas práticas comerciais desleais. A primeira audiência analisa a proposta de sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros e termina nesta terça-feira, enquanto a segunda começa hoje e apura questões relacionadas ao trabalho forçado, com duração prevista de três dias.


A primeira audiência pública, iniciada na segunda-feira, avalia seis aspectos das práticas brasileiras, incluindo comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. A segunda audiência envolve 60 países, incluindo o Brasil, e investiga supostas falhas no combate ao trabalho análogo à escravidão e na proibição da exportação de bens produzidos com trabalho forçado.


As audiências ocorrem em Washington e fazem parte de consultas formais a representantes de setores produtivos, governos e empresas dos países investigados, além de empresas estadunidenses afetadas. As investigações baseiam-se na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, que permite ao governo investigar práticas comerciais consideradas desleais. A primeira investigação começou em julho de 2025 e a segunda, em março de 2026.


Diversas entidades brasileiras, como a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária, o Conselho Brasileiro de Exportadores de Café, a Confederação Nacional da Indústria, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia e a Embraer, inscreveram-se para participar das audiências. O senador Flávio Bolsonaro também será ouvido hoje. A Associação Brasileira de Rochas Naturais e o Sindicato da Indústria do Ferro de Minas Gerais participam da segunda audiência, defendendo que a sobretaxa prejudicaria empresas estadunidenses e a economia dos EUA.


O vice-presidente da Associação Brasileira de Rochas Naturais destacou que as rochas naturais brasileiras complementam a cadeia produtiva dos Estados Unidos, gerando empregos e investimentos. No mês passado, o governo brasileiro contestou os argumentos a favor da sobretaxa e as conclusões preliminares do Escritório do Representante Comercial dos EUA, afirmando que as práticas brasileiras não prejudicam o país norte-americano e solicitando que não sejam impostas medidas unilaterais.


As audiências públicas seguem até quinta-feira, com participação de representantes brasileiros e internacionais para discutir as investigações comerciais em andamento.




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