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Espécies de anfíbios do Cerrado goiano estão ameaçadas de extinção

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Espécies de anfíbios do Cerrado goiano estão ameaçadas de extinção

Um levantamento do sistema de avaliação SALVE, conduzido pelo ICMBio e pelo Ministério do Meio Ambiente, identificou três espécies de anfíbios do Cerrado em estágios críticos de ameaça à extinção, classificadas como "Criticamente em Perigo", "Em Perigo" e "Vulneráveis". Entre elas, destaca-se a Boana buriti, conhecida como perereca-buriti ou perereca-de-pijama, que habita o Cerrado goiano e está classificada como "Vulnerável".


O professor Fausto Nomura, da Universidade Federal de Goiás (UFG), especialista em comportamento e ecologia de anfíbios anuros, explicou que essas espécies estão localizadas principalmente no entorno da Chapada dos Veadeiros, incluindo populações da Boana buriti dentro do parque. Ele também mencionou outras rãzinhas da região e um grupo apelidado pela ciência de "pererecas infernais".


Letícia Martins Rabelo e Marcelo Lisita Junqueira, do grupo Óia Passarinhar, ampliam a análise para o Cerrado como um todo, que concentra 363 espécies avaliadas como ameaçadas, abrangendo aves, mamíferos, répteis, peixes e invertebrados. Eles destacam que essa diversidade afetada evidencia a perda e degradação dos ambientes naturais em praticamente todos os grandes grupos animais. Marcelo ressalta que esse número representa apenas o conhecimento científico atual, e que novas pesquisas podem revelar outras espécies ameaçadas ou melhorias na conservação.


Além disso, Letícia e Marcelo apontam um conjunto de ameaças simultâneas, como incêndios frequentes fora do regime natural, uso intensivo de agrotóxicos, atropelamentos em rodovias, expansão urbana, barragens, espécies exóticas invasoras e mudanças climáticas. Esses fatores combinados tornam as populações animais mais vulneráveis do que qualquer ameaça isolada.


Para monitorar a biodiversidade do Cerrado, a ciência utiliza tecnologias como armadilhas fotográficas para registrar mamíferos, gravadores autônomos com inteligência artificial para identificar aves e anfíbios pelas vocalizações, drones para mapear habitats e monitorar áreas de difícil acesso, além de análises genéticas e DNA ambiental para detectar espécies sem observação direta. O sensoriamento remoto permite acompanhar quase em tempo real as alterações da paisagem.


Letícia alerta que o Cerrado poderá sofrer redução significativa da biodiversidade, especialmente das espécies mais especializadas e com distribuição restrita, com populações isoladas em pequenos fragmentos, tornando-se mais vulneráveis a mudanças climáticas, incêndios e eventos extremos. Marcelo relaciona esse colapso à escassez de água, secas extremas e queda na produção de alimentos, que afetarão diretamente a sociedade. Ele destaca que o conhecimento sobre as ações necessárias existe, mas o desafio é transformá-lo em políticas públicas eficazes.




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