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Estados Unidos avaliam sobretaxas sobre produtos brasileiros por alegações de trabalho forçado

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Estados Unidos avaliam sobretaxas sobre produtos brasileiros por alegações de trabalho forçado

Caso ambas as medidas sejam adotadas, o custo das exportações brasileiras para o mercado americano poderá aumentar significativamente.


A mobilização ocorre no âmbito de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Paralelamente, as autoridades americanas avaliam outra frente relacionada às acusações de trabalho forçado, ampliando a preocupação do setor produtivo brasileiro diante da possibilidade de novas barreiras comerciais.


Durante audiências públicas recentes, entidades brasileiras defenderam que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos é complementar, e não concorrencial. Elas alertaram que a adoção das novas tarifas traria impactos negativos também para a economia americana, elevando custos para empresas, pressionando a inflação e reduzindo a competitividade de diversos setores.


O diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos, destacou que as discussões deste ano ocorreram em um ambiente mais técnico do que em 2025, quando o café brasileiro enfrentou uma proposta de tarifa de 50%. Representantes de órgãos do governo americano fizeram questionamentos específicos sobre cada cadeia produtiva, demonstrando preocupação com os impactos econômicos para a indústria e consumidores dos Estados Unidos.


No caso do café, a estratégia foi conduzida em conjunto com a National Coffee Association e a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). As entidades defenderam a manutenção da isenção para o café verde e torrado, que representam cerca de 90% das exportações brasileiras ao mercado americano, e solicitaram a inclusão do café solúvel na lista de exceções, argumentando que o produto é insumo para diversas indústrias de bebidas nos Estados Unidos.


A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apresentou quatro argumentos centrais para rebater as acusações feitas pelo USTR, ressaltando que a imposição das tarifas elevaria custos tanto para produtores brasileiros quanto para empresas e consumidores norte-americanos.


A Sociedade Rural Brasileira (SRB) contestou formalmente as acusações relacionadas ao desmatamento ilegal, argumentando que o relatório americano interpreta equivocadamente a legislação ambiental brasileira.


A SRB também destacou a recente redução das taxas de desmatamento na Amazônia e no Cerrado, afirmando que o Brasil possui um dos sistemas de monitoramento ambiental mais rigorosos do mundo, baseado em imagens de satélite e cruzamento de dados em tempo real. Além disso, ressaltou que a relação comercial beneficia ambos os países, lembrando que, em 2024, o Brasil exportou cerca de US$ 12 bilhões em produtos agropecuários para os Estados Unidos e importou mais de US$ 54 bilhões em máquinas, fertilizantes, defensivos e tecnologias agrícolas norte-americanas.




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