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Investigação americana mira sistema brasileiro de pagamentos e pode afetar exportações

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Investigação americana mira sistema brasileiro de pagamentos e pode afetar exportações

A investigação foi iniciada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) com base na Seção 301 da legislação comercial americana, que permite a aplicação de sanções a países acusados de práticas comerciais desleais. O foco está no sistema brasileiro de pagamentos, apesar das alegações relacionadas ao meio ambiente e trabalho escravo. Nesta semana, o órgão americano começou uma série de audiências públicas para ouvir representantes do setor privado, especialistas e outros interessados antes de concluir o processo.


Diferentemente do tarifaço anunciado para 2025, esta investigação segue um rito previsto na legislação dos Estados Unidos, o que torna uma eventual retaliação mais difícil de ser revertida.


Além do mercado interno, há preocupação nos Estados Unidos com uma possível integração dos sistemas de pagamento dos países do Brics, o que poderia reduzir a dependência do dólar nas transações internacionais. Essa integração poderia deslocar cerca de 20% da intermediação do dólar no comércio global, o que preocupa o governo americano.


Uma alternativa seria limitar a integração internacional do Pix, mantendo seu funcionamento apenas no mercado doméstico, mas os movimentos recentes indicam aproximação financeira com países como a China.


O agronegócio brasileiro tem capacidade para buscar novos mercados, e os Estados Unidos dependem de produtos brasileiros em setores estratégicos. No tarifaço anterior, carnes, café e suco de laranja foram inicialmente atingidos, mas muitas restrições foram revistas devido aos impactos para consumidores e empresas americanas, que enfrentariam aumento de custos e inflação.


Grandes frigoríficos brasileiros possuem estrutura produtiva e logística nos Estados Unidos, gerando empregos e movimentando a economia local. Embora o agronegócio possa ser afetado, a indústria brasileira tende a sofrer impactos maiores, pois seus produtos têm alto valor agregado e cadeias produtivas mais complexas, difíceis de substituir.


Após a crise financeira de 2008, montadoras americanas passaram a usar motores menores e mais eficientes, segmento no qual o Brasil se tornou fornecedor relevante. Carros norte-americanos saem de fábrica com motores e autopeças produzidos no Brasil, gerando empregos qualificados e arrecadação de impostos. Uma retração nas exportações industriais pode afetar a economia brasileira em cadeia, reduzindo investimentos e recursos para políticas como o Plano Safra.




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