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Filhotes de arara-azul-de-lear reforçam programa internacional de conservação genética

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Filhotes de arara-azul-de-lear reforçam programa internacional de conservação genética

A arara-azul-de-lear esteve próxima da extinção há cerca de 30 anos devido ao tráfico de animais silvestres, destruição do habitat e baixa distribuição geográfica, que reduziram drasticamente sua população na década de 1990. Atualmente, apesar da recuperação gradual, a preservação da espécie ainda depende de ações integradas entre conservação em campo e manejo sob cuidados humanos.


Desde 2015, o Zoológico de São Paulo é a primeira instituição da América Latina a reproduzir a espécie com sucesso, contabilizando 23 filhotes em onze anos. Esse resultado é considerado expressivo para uma ave com reprodução complexa e alta sensibilidade ambiental.


Parte das aves nascidas na instituição já foi incorporada ao programa de revigoramento populacional na região do Boqueirão da Onça, na Bahia, uma das áreas naturais da espécie. Os filhotes permanecem sob alimentação assistida e monitoramento veterinário, e o exame genético para identificar o sexo será realizado após o desenvolvimento das penas, que servirão como amostra laboratorial.


Além da reprodução, o manejo genético internacional é um dos pilares do programa. As aves do Zoológico de São Paulo integram o studbook internacional da espécie, banco de dados que reúne informações sobre origem, parentesco, reprodução e variabilidade genética. Com esses dados, especialistas definem cruzamentos adequados, transferências entre zoológicos e estratégias para evitar consanguinidade, que pode comprometer a resistência genética e a sobrevivência da espécie.


Como parte da articulação internacional, o zoológico prepara o envio de dois machos para o Loro Parque, na Espanha, com o objetivo de ampliar a formação de novos casais e diversificar geneticamente a população mantida em programas de conservação fora do Brasil.


Dados do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres indicam crescimento gradual da população da arara-azul-de-lear na natureza, com 2.273 indivíduos em 2022 e 2.548 em 2024. Apesar disso, a espécie permanece vulnerável devido à distribuição geográfica restrita, concentrada em áreas da caatinga baiana como o Raso da Catarina e o Boqueirão da Onça, o que a torna suscetível à degradação ambiental e às mudanças climáticas.


A arara-azul-de-lear é classificada como 'em perigo' pela União Internacional para a Conservação da Natureza e como 'vulnerável' pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.




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