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Pesquisa registra sons e ofícios que marcaram o Rio de Janeiro antigo

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Pesquisa registra sons e ofícios que marcaram o Rio de Janeiro antigo

Antes da era dos aplicativos de entrega, do trânsito constante e dos celulares tocando no metrô, o Rio de Janeiro possuía uma identidade sonora única. O apito do amolador de facas pelas ruas do Flamengo, o ruído metálico das oficinas do Centro, o compasso das máquinas de costura das chapelarias e o vai-e-vem dos pequenos ofícios artesanais espalhados pelos bairros compunham a rotina sonora da cidade.


A pesquisa realizada pelas autoras não se limita a registrar o desaparecimento dessas profissões, mas busca destacar a beleza do processo de produção manual, em que o barulho das máquinas também contava histórias. Entre os personagens retratados está Seu Hilmo, amolador de facas que diariamente percorria as ruas do Flamengo, carregando seus equipamentos pelas calçadas e atraindo clientes com seu som característico.


Durante décadas, o som do amolador fez parte da rotina doméstica carioca. Ao ouvi-lo ao longe, moradores corriam até o portão com facas, tesouras e outros instrumentos para serem afiados. Era uma época em que os serviços chegavam até a porta das casas e muitos trabalhadores sobreviviam exclusivamente da circulação pelas ruas.


Outro universo sonoro destacado é o da Chapelaria Porto, localizada em um velho sobrado próximo à Central do Brasil. O ruído constante das máquinas de costura, o toque dos telefones e a movimentação intensa de clientes compunham a atmosfera do comércio tradicional. A localização e o cenário do sobrado no Centro reforçam a identidade do Rio antigo, com seus pequenos comércios que conheciam os clientes pelo nome.


A pesquisa também aborda as pequenas oficinas domésticas, como a do ourives em Vigário Geral, valorizando não apenas as entrevistas, mas também os sons das máquinas usadas na produção manual das joias. A modernização da cidade eliminou não só profissões, mas também sons, ritmos e hábitos urbanos inteiros, como o assobio do amolador, os fotógrafos lambe-lambe das praças, os vendedores de enciclopédia e os técnicos de máquina de escrever.


Assim, a pesquisa da UFRJ funciona como uma cápsula sonora do Rio antigo, um tempo em que o trabalho manual tinha espaço, as oficinas eram pequenas e a cidade produzia sons que hoje sobrevivem apenas na memória dos mais velhos. O desaparecimento desses ofícios provoca nostalgia, pois quando some o som de uma profissão, desaparece junto um pedaço da própria cidade.




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