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Drault Ernanny de Mello e Silva: o homem por trás da Casa das Pedras e do Rio grandioso

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Drault Ernanny de Mello e Silva: o homem por trás da Casa das Pedras e do Rio grandioso

No passado, o Rio de Janeiro era mais do que a capital do Brasil; era o centro nervoso do país, onde presidentes, empresários, artistas, diplomatas, militares, cientistas e aventureiros se encontravam.


Nascido na Paraíba em 1905, Drault chegou ao Rio ainda jovem e formou-se médico em 1929. Naquela época, o Rio era o centro político e financeiro do país, e bairros como Copacabana começavam a se transformar em áreas desejadas.


Com uma visão ampla e ambiciosa, Drault participou das grandes discussões econômicas brasileiras em um momento crucial para o país. Próximo ao magnata das comunicações Assis Chateaubriand, chegou a escondê-lo da polícia política durante a ditadura Vargas. Defensor da exploração nacional do petróleo, publicou em 1952 o livro "A Questão do Petróleo" e participou diretamente das articulações que levaram à criação da Refinaria de Manguinhos, importante marco da industrialização petrolífera brasileira.


Inspirada na casa de Scarlett O'Hara em "E o Vento Levou", a mansão combinava elementos da aristocracia sulista americana, luxo europeu e exuberância carioca, tornando-se um dos salões privados mais extraordinários do Brasil no século XX.


A Casa das Pedras funcionava como um centro informal de poder, onde se realizavam reuniões políticas discretas e estratégicas. Com três andares, decoração em estilo virginiano, tapetes persas, móveis de jacarandá e uma coleção de arte com obras atribuídas a Picasso, Miró, Toulouse-Lautrec, Matisse, Diego Rivera, Portinari, Debret, Di Cavalcanti e Pedro Américo, a mansão recebia políticos, militares, empresários, cientistas, artistas e chefes de Estado brasileiros e estrangeiros.


Entre os visitantes ilustres, destaca-se o primeiro homem a viajar ao espaço, que se hospedou na Casa das Pedras ao chegar ao Rio em 1961, no auge da Guerra Fria. Outros nomes associados à residência incluem o marechal Arthur Harris, comandante da RAF durante a Segunda Guerra Mundial, e Madame Chiang Kai-shek, uma das mulheres mais influentes da política chinesa do século XX. Juscelino Kubitschek definiu Drault como "um gênio paraibano, um boêmio", capaz de criar grandes ideias com "um drink e um charuto".


O Rio de Drault Ernanny era um lugar onde política, futebol, petróleo e diplomacia se entrelaçavam. Antes da Copa de 1950, o técnico Flávio Costa aceitou a oferta de Drault para concentrar os jogadores na Casa dos Arcos, no Joá, demonstrando a amplitude da influência desse homem que marcou uma época da cidade e do país.




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