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Visconde de Mauá e a Associação Comercial moldaram o porto do Rio de Janeiro no século XIX

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Visconde de Mauá e a Associação Comercial moldaram o porto do Rio de Janeiro no século XIX

A relação entre Mauá, o porto e a elite empresarial carioca é destacada na tese da historiadora Nívea Silva Vieira, da Universidade Federal Fluminense, intitulada "A Associação Comercial do Rio de Janeiro e o Porto: definição e redefinição das políticas públicas para o porto do Rio de Janeiro". A autora define a trajetória da Associação Comercial como parte inseparável da formação do Estado brasileiro, ressaltando que refletir sobre sua história é repensar o conjunto social e estatal do país.


Durante décadas, o coração econômico do Brasil pulsou entre a Praça XV, a Rua Direita, a Rua do Ouvidor, os armazéns da zona portuária e os corredores comerciais do Centro Histórico. Muito antes de Brasília existir e da Avenida Paulista se tornar símbolo do poder financeiro, o velho Centro do Rio concentrava decisões que influenciavam os rumos da economia nacional.


Na primeira metade do século XIX, o Rio era uma cidade fervilhante, ainda marcada pela lógica colonial, mas já atravessada pelas transformações do capitalismo internacional. O porto recebia navios europeus carregados de mercadorias, tecidos, móveis, vinhos, máquinas e artigos de luxo. Pelas ruas circulavam negociantes portugueses, investidores ingleses, empresários franceses, representantes de companhias marítimas, funcionários do Império, banqueiros, armadores e comerciantes brasileiros que enriqueceram com a expansão do café e do comércio atlântico.


Mauá acumulava funções que hoje pareceriam impossíveis em uma única pessoa: banqueiro, armador, empresário industrial, investidor em transporte urbano, acionista e diretor do Banco do Brasil, proprietário de empresas de navegação e figura central na antiga Sociedade dos Assinantes da Praça, que originou a Associação Comercial do Rio de Janeiro.


Mauá compreendia que infraestrutura urbana era também poder político e econômico. Sem um porto eficiente, não haveria comércio forte; sem transporte moderno, não haveria crescimento; sem integração logística, o Rio perderia protagonismo internacional.


A autora da tese define a Associação Comercial como uma espécie de "partido dos negociantes", organizado para transformar interesses econômicos em projetos capazes de influenciar diretamente o Estado brasileiro. Pela Praça XV circulavam carregadores, investidores, representantes de companhias estrangeiras, políticos e empresários discutindo contratos, importações, seguros marítimos e obras de infraestrutura. A Rua do Ouvidor consolidava sua fama como corredor elegante da cidade, enquanto o porto transformava o Rio em uma das cidades mais importantes do Atlântico Sul.


O sonho era transformar a capital do Império em uma cidade moderna, vibrante, sofisticada e competitiva diante das grandes metrópoles internacionais. Apesar das estruturas coloniais pesadas, da burocracia imperial conflituosa e dos interesses políticos divergentes, o porto do Rio tornou-se palco de disputas entre comerciantes, engenheiros, governo federal e grupos estrangeiros interessados em controlar o coração econômico da capital.


A tese de Nívea Silva Vieira destaca que a Associação Comercial atuou permanentemente nas discussões sobre o porto e tentou influenciar diretamente as políticas públicas ligadas à infraestrutura da cidade. A entidade teve papel determinante no desenvolvimento do porto do Rio de Janeiro e esteve em conflito constante com outras forças para fazer prevalecer sua visão sobre essa indústria fundamental para o país.




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