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Cerimônia da troca das vestes de Nossa Senhora da Glória do Outeiro marca início das festividades no Rio

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Cerimônia da troca das vestes de Nossa Senhora da Glória do Outeiro marca início das festividades no Rio

A tradicional troca das vestes da imagem de Nossa Senhora da Glória do Outeiro aconteceu nesta quarta-feira (5), dando início às celebrações promovidas pela Imperial Irmandade de Nossa Senhora da Glória do Outeiro.


Além da imagem de Nossa Senhora, o Menino Jesus também recebeu novas roupas durante a cerimônia. As tradicionais coroas imperiais e o cetro da Padroeira completaram o conjunto que será venerado ao longo de toda a festa.


Embora o ano de 1867 seja frequentemente citado como marco da cerimônia, a tradição é ainda mais antiga. Em 1867, a Mesa Administrativa decidiu confeccionar um novo corpo para a imagem de roca que permanece até hoje. Assim, a vestição já existia antes dessa data, mas foi naquele momento que ganhou a configuração histórica atual.


A imagem venerada é uma tradicional imagem de roca, feita para receber vestimentas reais. Ao longo dos séculos, a Imperial Irmandade reuniu um verdadeiro guarda-roupa histórico da Padroeira. Uma das vestes mais antigas foi encomendada pela Viscondessa de Mauá em 1859 à casa parisiense Turgil et Fils, especializada em bordados de luxo. Décadas depois, em 1886, novas vestes foram novamente encomendadas em Paris, demonstrando o cuidado constante da Irmandade. No século XX, o carnavalesco, figurinista e museólogo Clóvis Bornay também contribuiu para a tradição ao confeccionar vestes para Nossa Senhora da Glória.


A troca das vestes ocorre em ambiente reservado, apenas com a presença das Aias. A imagem é retirada do altar e levada a um espaço interno da igreja, onde as vestes, mantos, rendas, véus, adornos, joias, faixa, cetro e coroas são cuidadosamente colocados. Após a preparação, a imagem retorna solenemente ao altar, pronta para o início das festividades. Esse rito é um dos poucos tradicionais de confrarias católicas brasileiras que permanece praticamente inalterado desde o século XIX.


Durante o Império, a Festa de Nossa Senhora da Glória era um dos eventos religiosos mais importantes do Rio de Janeiro, com novenas, missas solenes, procissões, Te Deum, iluminação especial, barracas, apresentações musicais e grande participação popular. A proximidade da igreja com o Paço Imperial fez com que a Família Imperial frequentasse regularmente o Outeiro. Diversos membros da Casa de Bragança foram batizados na igreja, incluindo a princesa Maria da Glória, Dom Pedro II e a princesa Isabel. Essa ligação levou Dom Pedro II a conceder à confraria o título de Imperial Irmandade, distinção que permanece até hoje.


Após a troca das vestes, as festividades continuam com uma programação intensa. A Novena começa nesta quinta-feira (6) e segue diariamente até a véspera da festa. Na sexta-feira (14), haverá a Missa Solene da Vigília da Assunção de Nossa Senhora, além da abertura das barracas e concerto do projeto Música no Museu com o Coral Madrigal Cruz Lopes. O ponto alto das celebrações ocorre em 15 de agosto, Solenidade da Assunção de Nossa Senhora.




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