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Feminicídio em Salvador reforça dados de reincidência em violência contra a mulher na Bahia

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Feminicídio em Salvador reforça dados de reincidência em violência contra a mulher na Bahia

Ariane Silva Fonseca foi assassinada pelo ex-companheiro Wendell Souza da Silva, de 31 anos, que foi preso em flagrante pela Polícia Civil da Bahia menos de quatro horas após o crime. A vítima havia registrado denúncia contra Wendell e se separado dele, mas mesmo assim foi morta no local onde morava.


Dados do Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), mostram que 66,2% dos casos de violência contra a mulher são reincidentes. Em 2024, o sistema de saúde registrou 186.177 atendimentos a mulheres vítimas de violência doméstica, sendo que 100,8 mil delas já haviam sofrido agressões anteriores.


A avó de Ariane, Ana Lúcia dos Santos, de 71 anos, relatou que viu a neta pouco antes do crime, quando ela se preparava para trabalhar e afirmou que logo retornaria. A tia da vítima, Mariluce Santos, de 31 anos, afirmou que Wendell já havia ameaçado Ariane enquanto tentava reatar o relacionamento, evidenciando o ciclo de violência que se repete com frequência.


A promotora de Justiça Sara Gama, coordenadora do Núcleo de Enfrentamento às Violências de Gênero do Ministério Público da Bahia, ressalta que, apesar da legislação robusta, o combate à violência doméstica enfrenta desafios, especialmente relacionados ao fator emocional e à dependência das mulheres.


Sara Gama enfatiza que a relação entre a vítima e o agressor envolve sentimentos e vínculos que dificultam a ruptura, como filhos e amigos em comum. Ela defende que é fundamental fortalecer as mulheres com políticas públicas eficazes para que não retornem a relações violentas, além de promover a compreensão do papel de vítima e a necessidade de romper com a violência.


O caso de Ariane Silva Fonseca ilustra a urgência de ações integradas para enfrentar a reincidência da violência doméstica na Bahia, que afeta diariamente centenas de mulheres, muitas delas em situação de vulnerabilidade e risco constante.




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